quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Quando eu era pequena lá em Barbacena, a gente era pobre. Não, pobre eu sou hoje. A gente era BEM pobre. Tipo, roupa nova só 1 vez por ano, no natal. Presentes? Ou de natal ou de aniversário. Nunca os dois. Daí que eu estava lembrando do nosso primeiro disco. Ou LP. Long play. Como preferir. Eu só fui ter um disco pra chamar de meu aos 9 anos, por aí. Nem lembro exatamente o porquê da façanha. Discos. Um luxo. Provavelmente estávamos comemorando algo, não sei se o primeiro salário da minha irmã, hohoho, tadinha. Então saímos eu, minha mãe e minha irmã, à procura do disco preferido de cada uma. Eu, a besta, escolhi Xou da Xuxa. Toda pomposa, feliz da vida, realizada com aquela capa linda, aquele rosa lindo da blusa da Xuxa, fotos atrás da capa, brincando de “onde está wally” pra achar as paquitas nas fotos, etc. Um sonho. Minha irmã, sempre mais esperta, pediu RPM ao vivo. Espetáculo. Também várias fotinhas dos gostosos no encarte, etc. Minha mãe escolheu Fabio Junior. Não lembro exatamente qual era o lp, mas era bom. Tinha aquela musica, “Sem limites pra sonhar”, que ele cantava com a Bonnie Tyler. Bem, a questão é que tinha uma, UMA música daquele disco que me fazia chorar. É. Já aos 9 anos, uma troncha que chora com musiquinhas românticas que falam sobre um amor que dá certo, ou ao menos que pode dar certo. E eu achava aquela musica linda. LINDA. E já naquela época ficava voltando toda hora nessa musica. Ia lá na VITROLA, e voltava manualmente pro inicio da faixa. Morrendo de medo de quebrar a agulha, que era cara, hahaha. Bem. Daí que eu decorei a letra da musica toda, etc. Amava. Mas os anos passaram, tudo mudou e eu esqueci da música. Esqueci. Nem lembrava mais que a bendita existia. Pra dizer a verdade, eu nem lembrava que um dia minha mãe comprou um lp do Fábio Junior pra ELA. Até um dia desses. Um dia desses que EU NÃO SEI PORQUÊ eu lembrei da música. Assim, do nada. Do nada MESMO. E todas aquelas sensações vividas há não sei quantos anos atrás voltaram. Eu lembrei de tudo que eu senti na época. Do coração apertado, da vontade de gritar, dos suspiros por querer que alguém me amasse daquele jeito. E o pior. Continuo sentindo a mesma porra. A música ainda me faz encher os olhos de água. Ainda me faz dizer "own, que linda!". E desde então a música não sai mais da minha cabeça. Simplesmente não sai. Toda hora, do nada, eu lembro do refrão. E lembro de um trechinho. E fico viajando. E eu até agora não sei qual foi o motivo dessa bendita ter reavivado na minha mente. É uma música que ninguém conhece Ninguém lembra. Ninguém acha linda. Não toca nas rádios. Eu não tenho mais o disco. Eu não tinha como e nem porquê lembrar. Mas, é isso. A música que ressucitou na minha mente. Com vocês “Um romance”, Fábio Junior.

Ela chegou, e se sentou no bar
Vi meu destino mudar
As palavras, pra quê palavras
Se tudo é dito no olhar

Compreende, tenta compreender
Foi com você que eu sonhei
Realidade pode estar perto
Não custa nada perceber

Quantas vezes, eu pensei
Só me entregar ao amor que eu sonhei
E a razão da minha timidez foi natural
Oh, dá um sinal pro sonho virar real

Um romance pode acontecer
A o se esbarrar em alguém
Abre os olhos, sonha acordado
E não quer saber de mais ninguém

Quantas vezes, eu pensei
Só me entregar ao amor que eu sonhei
E a razão da minha timidez foi natural
Oh dá um sinal e mostra que me entendeu

Sei que um romance sempre pode acontecer
Mas não sei pedir se por direito é todo meu
Oh quantas vezes sonhei com você
Vê se entende, dá certo demais
Está tão perto
Do sonho virar real
real

2 comentários:

disse...

As músicas marcam.

Anne disse...

Caramba, mas essa já tava esquecida, muito esquecida! Parece uma coisa, até minha mãe um dia desses, do NADA, falou DESSE DISCO! Sei lá.. Jung explica! Rs.