quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Tem dias em que você dorme mal, acorda pior, descobre que a sua única calça jeans limpa sujou misteriosamente, então você veste uma outra que estava jogada e é escura, então na verdade você nem sabe mesmo se ela está suja ou limpa, e o seu cabelo resolve se comportar da pior forma possível, você coloca uma blusa que não te ajuda em nada, só percebe que esqueceu de colocar os brincos quando já está no trabalho, sua cara é uma cara de madalena da porra, e você já sabe de antemão que vai ser um dia punk. E secretamente você deseja com todas as suas forças que durante esse dia apareça alguém pra te salvar. Alguém que enxergue além, alguém que veja mais do que essa blusa de freira e esse cabelo de maria que você está hoje.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Estou baixando Persona, do Bergman
Fora que no meu mp3 ultimamente só toca Mozart e Maria Callas
Estou aprendendo canto lírico

Mas assisto Californication
Uso bolsa da Hello Kitty
E amo Ivete Sangalo

Não sei bem aonde quero chegar...

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Eu ando com medo de me mostrar. Me transformar em letras impressas numa página em branco à minha frente, pra todo mundo ler. Eu tenho um conto guardado na memória, que me persegue, mas eu não o acho. Ele está lá, em determinado momento da minha vida, mas só algumas palavras, na verdade está tudo tão embaçado, são lembranças fragmentadas que eu queria tanto recuperar e não acho o livro, não sei o autor, ninguém conhece o conto pelo nome, e minha vida se perde por aí. Eu deixei meu álbum de infância com o meu pai, quando minha mão saiu esbaforida daquela casa que tantas alegrias e tristezas nos trouxe, e eu procurei pegar tudo o que podia naquele curto espaço de tempo, naquela corrida, mas não, eu não peguei tudo, eu esqueci, ou melhor, eu não esqueci, eu deixei. Eu deixei lá o livro com o meu conto e eu deixei lá o álbum com minhas fotos. E eu nunca os resgatei. Nunca mais. Eu os perdi. E hoje eu os queria tanto, e a todo instante eu lembro. Do álbum e do livro. O livro que eu não sei o nome, e que ninguém conhece. O álbum que está todo na minha mente, e que ninguém pode mais ver. E eu tentei tanto pegar o máximo de coisas. E as coisas que eu achei que não seriam importantes, hoje martelam na minha cabeça. Hoje me desesperam, porque eu queria tanto tê-los. Pensando bem, a minha vida toda foi assim. Querendo ter o que se perdeu. Tentando levar tudo consigo, e nunca perder nada. Desesperada tentando com somente dois braços pegar ao mesmo tempo o máximo de coisas. E chegar sem nada no fim. Talvez seja por aí. Eu queria o meu livro. Eu queria reler aquele conto. E eu queria me ver de novo com 1 ano, fraldão, calcinha cheia de babados, em cima da vitrola da minha avó. Eu queria. Eu não peguei. Eu deixei lá. Pra pegar depois. E eu não consigo resgatar nem um e nem outro. E nem deixar pra trás. Eles estão presos no caminho.