segunda-feira, 29 de outubro de 2007
Da imprevisibilidade da vida
Eu estou tão chocada com uma notícia, que não sei nem o que falar, mas preciso. Da imprevisibilidade da vida, essa. E olha que quando escrevi o post anterior, ainda não sabia da notícia. Do acidente. Do terrível acidente. Eu estava em casa, em frente ao micro, quando entrou a notícia no RJ TV. Eu virei pra tv, por um momento meu coração acelerou, pois uma pessoa querida estava na rua, e poderia estar pela Av. Brasil, mas quando eu vi que, graças a Deus, não era nenhum conhecido, eu só lamentei, claro, mas virei e a vida seguiu. Depois ouvi de novo sobre o acidente, e de novo, e de novo, e o quanto tinha sido horrível, e quando eu me toquei de que tinham crianças no carro, eu fiquei mais triste, mais sentida pelo ocorrido. Mas hoje minha mãe me liga. Pra contar que uma das crianças era o enteado do meu tio. Um menino de 10 anos, que eu conheci há uns 2 meses atrás. Um menino fofo, esperto, botafoguense. De quem eu tirei várias fotos. Com quem eu comemorei por sermos botafoguenses. Que gostou de mim, e que na despedida veio me dar um abraço imenso e um beijo. E assim, morreu. Aquele menino fofo e lindo. Que amava tanto, tanto o pai, e morreu junto com ele. A família diz que o pneu estourou. Os jornais não dizem nada sobre. Mas a questão nem é essa. É de como as coisas acontecem. E nos deixam assim, impactadas. Eu estou tremendo até agora. Não to conseguindo tirar isso da cabeça. Porque é triste. Nem vou falar do estado da mãe. Estou falando só no meu estado mesmo. De saber que uma tragédia que até há pouco eu achava que tinha sido “distante”, foi com uma pessoinha razoavelmente próxima. E eu jamais, jamais, iria imaginar.
Ando pensando muito (devido à coincidência de ter assistido um episódio de seriado e um filme que falassem da mesma coisa) no seguinte: você recebe a notícia de que vai morrer em 3 meses, e só aí então resolve aproveitar a vida, espremê-la ao máximo pra tirar todo o suco (e gomos e bagaços) que ela tem a lhe oferecer. Oras. Por quê? Por quê esperar um limite, por quê esperar o pouco tempo de vida, para só então aproveitá-la? Por quê não podemos aproveitar a vida ao máximo diariamente, sem o tempo contado? Qual a diferença? Por quê, ao sabermos que vamos morrer, resolvemos mandar todo o medo embora e nos jogarmos? Por acaso temos alguma garantia de que nossa vida não terminará amanhã, ainda que não tenhamos recebido essa notícia de um médico? Por um acaso sabemos quanto tempo nos resta, para nos darmos ao luxo de viver uma vida restrita? Por um acaso sabemos se vamos viver mais 30 anos, ou 3 dias? Não! Então, por quê desperdiçar? Por quê brincar com a sorte, por quê perder tempo? Vivamos cada minuto ao máximo, como se tivéssemos recebido a notícia de que temos 3 meses de vida! Por quê não? O que nos garante que não? Ou que sim? Mas há a garantia de que sim, seremos muito mais felizes vivendo com toda a intensidade que queremos, mas temos medo de fazê-lo. Seremos muito mais felizes ao viver a vida para nós mesmo. Viva a sua vida para si, e não para os outros. Por que o final dela, nem você sabe.
sábado, 27 de outubro de 2007
Ele disse adeus. Ele nunca dizia adeus quando se despedia. Eu estranhei. Até pensei. "Adeus?". Mas, no fundo, respirei aliviada. Poderia ser um adeus. Digo, eu estava preparada, caso fosse um adeus. Mas tinha dúvidas ainda, se era ou não. O adeus não saiu da minha cabeça, mas ele sim. Uma semana se passou, e eu praticamente não senti a sua falta. "Praticamente", nada. Eu não senti a sua falta, ponto. Não sei o que aconteceu. Mas a única coisa que consigo pensar é que pode ter acabado do jeito que começou. Em um estalo. De repente. Sem explicação. Cheguei a cogitar a hipótese de que talvez eu realmente comecei enxergar o seu "eu" verdadeiro. Mas não é isso. Não assim, no sentido de que você tenha mudado, ou que você esse tempo todo estivesse fingindo ser de um jeito que não fosse o verdadeiro. Não mesmo, longe disso. Talvez, sim, talvez eu apenas tenha deixado de te enxergar como a pessoa que eu criei. A minha idéia de como você seria. E passei a te enxergar como você realmente é. Uma pessoa normal. De quem eu gosto muito, mas a minha vida não precisa acabar quando você não está. Espero que seja isso mesmo. Ainda é cedo pra falar qualquer coisa, só se passou uma semana. Mas eu não lembro de ter passado uma semana longe sem quase morrer de tanta falta sua que senti. E agora, tudo é diferente. E eu estou feliz com isso.
Confusão. Caos. Surdez. Todos os barulhos do mundo em minha mente. Correr. Correr, correr, correr. Fast, fast, fast. Lágrimas. Dor. Choro. Aquele, sem lágrimas. Segurar todas as lágrimas. Ainda correr, correr, correr. Até doer tudo. I never... I never... I neeeveeeeerrrrr... Som nas alturas. Limites. Não sei quais os meus. Nunca tentei ir além. Então corro. Corro, corro, corro, sem saber aonde essa estrada vai dar. Vigor. Gana. Vontade. Ir além. Superação. Força. Coragem. Perseverança. Vida. Mr. Brightside.
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Estava pensando um dia desses no porquê de eu só ter linkado aqui o blog da Paula Lee. Bem, primeiro por que o blog dela é, de longe, um dos melhores blogs da atualidade. Ela escreve compulsivamente, você pode ficar lendo o blog dela por horas, tem muita coisa pra ler, nunca lhe falta assunto, você nunca fica carente de posts, são posts sobre assuntos variados, ela é apaixonante, passa sinceridade e verdade naquilo que escreve, e, principalmente, ela faz diferença na minha vida com seus posts. E isso é algo que não é pra qualquer um. Claro, eu leio outros blogs, muito bons também. Mas não sei, ultimamente ando procurando pessoas com aquele algo mais, que a gente não sabe muito bem explicar que algo mais é esse. E infelizmente está difícil de achar. Então eu meio que tenho preguiça de linkar blogs mais ou menos. O mundo blog mudou muito. Está virando uma coisa comercial demais, igual demais, perdeu-se a originalidade. Virou uma grande briga de egos, quem tem mais leitores, quem tem mais comentários, quem ganha qual prêmio, quem é da minha panela. Aquela coisa do início, de só escrever por escrever, de querer conhecer o vizinho, prestigiar, virar amigo, meio que está acabando. Não generalizando, claro. Mas em sua maioria, sim. É o que eu tenho visto. Por isso, por enquanto, só quero mesmo linkar a Paula. Ela é a única que transpira sinceridade e verdade. Sem maiores interesses. Ela ama escrever. E ela escreve bem. E eu aprendo com as coisas que ela escreve. E é isso o que me importa atualmente.
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Tenho lido Bukowski. Ou melhor, descobri Bukowski. Claro, eu já tinha ouvido falar, e já tinha até curiosidade sobre. Sempre soube da idolatria de Clarah Averbuck por ele (junto com Leminski e Fante), e por aí já imaginava que só podia ser bom. Sim, a maior parte de meu conhecimento sobre literatura, filmes e arte em geral, vem da internet. Não vem da minha educação escolar, não vem de herança famíliar, não vem, infelizmente. Vem sim, da internet. Então, voltando ao Bukowski. Durante a bienal, em uma visita ao estande da L&PM Pocket, peguei vários livros que queria comprar. Mas, como o dinheiro é escasso, como faz uma pessoa que tenta controlar sua fome por comida, que cheira, cheira, cheira bastante aquilo que não vai comer, eu peguei os livros, os abracei, acariciei, folheei e... os deixei. Bem, tive que "peneirar". Então, de uns 10 livros que estavam na minha mão, eu escolhi 2 pra comprar. Um assassino entre nós, de Ruth Rendell, e "O capitão Saiu para o Almoço e os Marinheiros Tomaram Conta do Navio", de Bukowski. Por que eu escolhi esse livro? Não sei. Tinha em mãos outros livros maravilhosos, que eu queria muito ler, mas aquela setinha dentro de mim só indicava para o velho e bom marinheiro. Li primeiro o livro da Ruth, que havia sido indicação de uma pessoa em cujo gosto confio muito (e não me decepcionei, diga-se de passagem), e depois de uns dias, peguei, sem maiores pretensões, o do Buka pra ler. Comecei. E li, e li, e li. E não tinha vontade de parar, e que pena, o livro é tão pequeno, tão curto, acabou tão rápido. E estou lendo de novo. Porque me apaixonei pelo velho marinheiro. Me apaixonei por esse homem tão sincero, tão direto, tão íntimo e tão amigo das palavras. Me apaixonei por esse homem que é tão parecido comigo, que pensa como eu, e que consegue escrever de um jeito tão simples, mas com tanto magnetismo. E leio tantos trechos que me deixam com vontade de gritar "Eu acho a mesma coisa! Você não imagina o quanto eu estou feliz por ler tanta coisa em comum!". Me deixam com vontade de sentar e bater um papo com esse cara. Me deixam com vontade de chorar por ele já ter morrido. É tão triste isso. Saber que ele morreu. Por quê ele morreu? Ainda tinha tanto a escrever, tanto a ensinar. E eu me embebedo em suas palavras. Tão deliciosamente cruas, e tão absurdamente sensatas. Está tarde e escuro, estou escrevendo no meu quarto com a luz apagada, e estou só de calcinha e sutiã, janela aberta, enfim, isso é pra explicar o porquê não posso acender a luz agora (não quero dar tantas alegrias assim aos meus vizinhos), e por que não dá pra pegar o livro e escrever uns trechos dele aqui. Mas depois farei isso. Porque não dá pra não mostrar ao mundo as palavras desse homem. Porque é bom demais. E eu já carrego Bukowski comigo, no meu coração.
Mas mudando de assunto, estou assistindo ao jogo do Brasil x Equador, no Maracanã. Eu queria muito ter ido. Mas nem sabia desse acontecimento. Sim, sou uma alienada. Só fui saber hoje de manhã, juntamente com a notícia de que os ingressos já haviam se esgotado. Então agora assisto de casa. Mas acho bacana assistir um jogo do Brasil assim, tão pertinho, na nossa terra. Ver o povo todo vestido de verde e amarelo, vibrando (claro, depois do 3º gol. Porque antes, já estavam quase vaiando (oh! e enquanto escrevia isso, o Brasil fez um quarto gol LINDO! Do Robinho, claro. Não foi ele quem chutou a bola pro gol, mas foi ele quem fez o gol, e é isso que importa.). É muito boa essa energia. Tudo seria tão, tão, tão mais feliz se todos carregassem sempre esse sentimento consigo, não? E não é fácil? Conservar, manter essa energia, essa alegria, essa solidariedade, esse sentimento de unificação, todos sentindo a mesma alegria. É tão bonito. E tão simples. E tão fácil. Caramba, é tão fácil. Mas tão fácil. É só uma questão de consciência. É só parar um pouquinho pra pensar. Deixar de pensar em si e pensar em nós. No coletivo. Acho que justamente por ser tão fácil, é que se torna tão difícil. Ninguém está acostumado com nada tão fácil assim. E aí, não enxergam.
Quase meia noite, tenho que dormir. Amanhã queria acordar às 5, e começar a correr, mas já vi que não rola. Não amanhã. Quem sabe depois de. Quem sabe.
Mas mudando de assunto, estou assistindo ao jogo do Brasil x Equador, no Maracanã. Eu queria muito ter ido. Mas nem sabia desse acontecimento. Sim, sou uma alienada. Só fui saber hoje de manhã, juntamente com a notícia de que os ingressos já haviam se esgotado. Então agora assisto de casa. Mas acho bacana assistir um jogo do Brasil assim, tão pertinho, na nossa terra. Ver o povo todo vestido de verde e amarelo, vibrando (claro, depois do 3º gol. Porque antes, já estavam quase vaiando (oh! e enquanto escrevia isso, o Brasil fez um quarto gol LINDO! Do Robinho, claro. Não foi ele quem chutou a bola pro gol, mas foi ele quem fez o gol, e é isso que importa.). É muito boa essa energia. Tudo seria tão, tão, tão mais feliz se todos carregassem sempre esse sentimento consigo, não? E não é fácil? Conservar, manter essa energia, essa alegria, essa solidariedade, esse sentimento de unificação, todos sentindo a mesma alegria. É tão bonito. E tão simples. E tão fácil. Caramba, é tão fácil. Mas tão fácil. É só uma questão de consciência. É só parar um pouquinho pra pensar. Deixar de pensar em si e pensar em nós. No coletivo. Acho que justamente por ser tão fácil, é que se torna tão difícil. Ninguém está acostumado com nada tão fácil assim. E aí, não enxergam.
Quase meia noite, tenho que dormir. Amanhã queria acordar às 5, e começar a correr, mas já vi que não rola. Não amanhã. Quem sabe depois de. Quem sabe.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Às vezes eu acho que não consigo mais escrever como antigamente. Não que algum dia eu já tenha escrito algo que preste, but.
Eu queria muito, muito me libertar. Das vergonhas, dos medos, dessas coisas que só bloqueiam e sugam e te fazem minguar.
Acabo de receber o aviso de cobrança da administradora do cartão de crédito de uma fatura que eu já paguei, mas paguei com atraso de quase 15 dias. Levei um susto, mas já já vou ligar pra lá e resolver. Só sei é que foi bom, pra me lembrar de que eu sou pobre e não posso mais ficar gastando absurdamente no cartão de crédito. Ah sim, e que esse deve ser usado de preferência só em casos de emergência, e não de fome, como tem sido o caso.
A verdade é que a gente não sabe de nada, né? Por mais que ache que saiba. E (n) fim.
Eu queria muito, muito me libertar. Das vergonhas, dos medos, dessas coisas que só bloqueiam e sugam e te fazem minguar.
Acabo de receber o aviso de cobrança da administradora do cartão de crédito de uma fatura que eu já paguei, mas paguei com atraso de quase 15 dias. Levei um susto, mas já já vou ligar pra lá e resolver. Só sei é que foi bom, pra me lembrar de que eu sou pobre e não posso mais ficar gastando absurdamente no cartão de crédito. Ah sim, e que esse deve ser usado de preferência só em casos de emergência, e não de fome, como tem sido o caso.
A verdade é que a gente não sabe de nada, né? Por mais que ache que saiba. E (n) fim.
terça-feira, 2 de outubro de 2007
E aí vem você e me ressucita. Eu, Anne, essa parte escondida de mim, essa eu que não quer ser vista, não pode ser sabida, jamais pode ser descoberta por você, porque você jamais pode saber o que eu continuo sentindo por você. Porquê? Por que você já deixou bem claro o que eu significo pra você. Nada. Uma distração virtual. Por mais que você diga palavras bonitas e por mais que você diga que eu sou única em uma determinada parte da sua vida (a virtual, of course), isso parece até significar alguma coisa, mas não significa nada, na verdade. Eu sou descartável pra você, e isso fica bem claro. Mas aí eu faço o favor de sonhar com você. A porra de um sonho maravilhoso. Aonde a imagem que eu criei de você se materializa pra mim. E você me beija. Um beijo maravilhoso, como eu sei que você tem, afinal, fui eu que te criei na minha mente. E eu só queria te ver, te conhecer, só pra destruir essa imagem que eu criei, só pra destruir esse príncipe encantado em que eu te transformei, meu deus, eu preciso tirar essa imagem sua da minha mente, senão vou enlouquecer. Eu preciso tocar em você, pra ver que sua pele não é tão macia, que seu abraço não é tão envolvente, e nem aconchegante, e nem gigante, eu preciso ouvir a sua voz, pra ver que ela é feia, eu preciso sentir a sua lingua dentro da minha boca, pra saber que ela é dura, parada, rápida, que seu beijo é muito ruim, que seus carinhos são frios, enfim, EU PRECISO TE DESTRUIR, PRÍNCIPE ENCANTADO QUE EU CRIEI! Mas aí, o sonho. Você dirigindo o seu carro preto, como você me disse que tinha. E minha irmã no sonho. Você sendo legal com a minha família. Você todo sério, como eu gosto, e imagino. Você dormindo no volante, porque você tem dormido demais ultimamente, mesmo. E eu te chamando de dorminhoco, de soneca,. mas ainda assim me sentindo totalmente segura com você na direção. Você brincando comigo, desfazendo de mim, mas não de uma forma perjorativa, mas na brincadeira mesmo, querendo dizer o contrário de tudo o que está falando. E então, uma parada em algum lugar, pra minha irmã fazer alguma coisa, uma troca de lugares, e você de repente ao meu lado, cara a cara, olhos nos olhos, e você não resiste, ea gente se beija, e, ai, você me beija, e, meu deus, é tudo o que eu sempre sonhei, e eu não acredito, e eu não caibo em mim de tanta felicidade, e minha irmã entra no carro e eu não estou nem aí, eu quero é te beijar pra vida inteira, pra sempre, pra nunca mais desgrudar. E aí a gente pára de se beijar e você sorri, e eu sei, estamos apaixonados. E você votla a dirigir, e agora eu estou do seu lado, e você pára mais uma vez, e pega todos os seus sobrinhos, e alguém da sua família é apresentado a mim, e, nossa, meus sonho se tornando realidade, finalmente, e... acaba. Eu acordo. Sobressaltada. Perdi a hora. Por que eu acordei? Não acredito. Não acredito que depois de anos finalmente conheço o sabor do teu beijo, finalmente viro tua namorada, e isso só dura uma hora. E é um sonho. E eu queria que fosse realidade, tanto, tanto. E aí não me comporto em mim. Mas, surpreendentemente, não fico mal. Fico lembrando do sonho. De você. E cada vez mais convencida de que você é só uma invenção minha, mas eu preciso transformar essa ilusão em realidade rapidamente, pra ter certeza de que a ilusão nada tem a ver com a realidade. Ou destruir a ilusão na dúvida da realidade ser igual ou não. De qualquer maneira, ilusões eternas não são uma boa idéia. Eu preciso me desfazer dessa imagem que criei de você. Pra ontem.
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