sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Eu sempre fui acostumada - ou tive que me acostumar - a não contar com ninguém. Sempre. Não pude contar com minha mãe. Desde os 14 anos eu trabalho e meu dinheiro sempre foi todo pra dentro de casa, pra ajudar nas contas, compras, etc. Não porque minha mãe quisesse isso, mas porque precisávamos disso. Depois arrumei um namorado/marido que só deitava. E eu só deixava. Fazia tudo. Pagava contas - todas -, resolvia pendencias, me desdobrava no meu trabalho e ainda o ajudava no "trabalho" dele, resolvia os meus pepinos e os dele. Ou seja, eu nunca pude delegar, nunca pude descansar e esperar que alguém fizesse alguma coisa por mim. Ao menos nas partes mais importantes da minha vida. Talvez por isso eu valorize tanto, tanto, tanto os meus amigos, aqueles que me conhecem há tanto tempo e que, ainda que não muito, ainda que não sempre, me amparam quando eu preciso, pouco, muito, mas fazem o que podem. Eu posso contar nos dedos as pessoas que me socorrem quando eu preciso. Duas. Meus dois ex-namorados. Que são meus amigos até hoje e que, sempre que eu preciso, e peço, eles vêm de onde estiverem e me socorrem. A pergunta "então porque eu não me apaixono por eles?" não vai entrar aqui. Ela sempre me vem à mente, sim, mas não tenho resposta. Simplesmente não acontece. Eu simplesmente preciso deles ao meu lado (e já se vão 15 anos de amizade com um e 5 anos com outro), mas não como namorados. Eu os amo, mas como meus "tripés" que são. Mas a questão aqui também não é essa. O que eu preciso desabafar aqui é que com isso, com a vida inteira sendo o apoio sempre, a vida inteira sendo quem resolve, quem toma a frente, quem banca, quem faz tudo sempre, eu simplesmente não consigo pedir ajuda. Não conseguia. Há até bem pouco tempo atrás. Semanas atrás. Porque eu cansei, né. Eu to cansada há muito tempo. Há muito tempo eu simplesmente desisti. Se alguém fizesse por mim, beleza, se não fizessem, nem eu faria. Daí é um processo. Depois desse cansaço, dessa "desistência", eu comecei a pedir. Muito sem jeito no início, muito incomodada por "incomodar os outros", mas não tinha jeito, eu tinha que aprender a pedir socorro. Eu não conseguia mais levar tudo sozinha nas costas. E assim foi, hoje eu já to melhor, já peço mais frequentemente, com mais cara de pau e menos remorso. Mas ainda é uma coisa que me deixa... fascinada. Encantada. Apaixonada. Sério, você quer que eu morra de amores por você? Faça qualquer coisa que eu pedir. Coisa simples, coisa complicada, não importa. Eu me acostumei por tanto tempo a não ter a quem pedir ajuda, e pior, a pedir ajuda e não ser ajudada, que me espanta e impressiona e fascina e encanta quando eu peço ajuda e sou respondida, sou ajudada. E namorado me ajuda sempre. E isso me deixa abobalhada. Tudo o que eu peço, ele faz. Coisas complicadas, coisas simples. Ele sempre me ajuda. Precisei que ele fosse em tal lugar no meio do expediente? Ele dá um jeito e vai. Precisei que ele me buscasse em algum lugar meia noite? Ele dá um jeito e vai. Eu posso contar com ele. Isso é algo que eu nunca tive. O ex sempre me encheu de problemas e nunca, nunca de soluções. Quando eu precisava da ajuda dele, ele furava. Poucas vezes, mais ultimamente, mais pra época próxima do fim, ele começou a resolver algumas coisas. Mas, como vou dizer, coisas fáceis. Ele não se sacrificou pra me ajudar, nunca. Não estou exatamente reclamando, não é isso. Eu não gosto de reclamar, o que eu fiz tá feito, o que passou, passou. É só uma constatação. Em como eu me perdi nisso de nunca pedir ajuda, nunca imaginar que as pessoas também podem me ajudar, que algumas realmente me ajudam. E isso me dá... medo. É. Eu amo, fico eternamente grata a namorado, meu sentimento, meu gostar por ele cresce, mas.. eu fico com medo. De me acostumar. De contar sempre, e uma hora ele não poder, e eu me decepcionar. De não conseguir equilibrar e, pelo tanto tempo que não levei nada, que não tive ajuda alguma, cobrar demais dele e me desapontar extremamente se ele, por algum motivo, falhar ou fazer algo diferente. Sei lá. Porque é bom demais. Eu não vou conseguir nunca aqui explicar o quão importante isso é pra mim. A ajuda. O disponibilizar-se. O sacrifício feito de forma feliz. A boa vontade. A vontade de me ajudar. A preocupação comigo. Essas coisas. Ele, namorado, e minha melhor amiga e seu marido estão me ajudando demais nessa fase de mudança. Enquanto eu to aqui no trabalho, R. está lá em casa, esperando pelo técnico (outro) da geladeira. Namorado foi lá entregar a chave do portão que ainda não estava com ele. E, se não fossem eles, eu estaria fudida. Fu-di-da. Dá até vontade de chorar. De gratidão. E aí eu até esqueço que ontem fiz a pergunta mais idiota da face da terra e tive a resposta mais brochante da face da terra. "Seu casamento é legal? Ah, ela implica muito com os meus pais, eles não se dão, e isso acaba causando muitas brigas." ISSO. A esposa não se dá com os pais dele, e essa é a única coisa que ele lembra de ruim do casamento. Ou seja. O casamento dele é legal. O que eu estou fazendo no meio disso tudo, mesmo? Oh, acabando com uma família. Oh yeah.

3 comentários:

disse...

Cara, eu só não entendi uma parte: como assim vc está acabando com uma família?

E boa sorte nesse novo ciclo da sua vida honey =)

Anônimo disse...

então. nunca falei nada aqui antes porque uma vez (long time) uma menina tinha um blog contando a vida dela de amante e tal (acho que era até esse o nome do blog) e ela PEDIU a opinião das pessoas, eu dei a minha, e ela não gostou muito.
não que você esteja pedindo minha opinião e também quero deixar claro que não te julgo, até porque tem casos na minha familia iguais a você.

pra começo de conversa, eu não acredito em fidelidade. as pessoas são livres, o que devem ser é LEAIS. tá saindo com outra? beleza, abre o jogo pras duas. é assim que eu penso, mas pena que ninguém pensa assim, né? ahhahaha o que já me rendeu bons chifres e eu terminei não pela traição, mas por ter sido enganada.

mesmo que ele faça tudo por você, mesmo que você goste dele, não é uma relação estranha ele manter as duas? você sabe, mas a mulher dele não, como ele lida com isso, e mais, como VOCÊ lida com isso? se ele é tão perfeito, pq não se separa? e se, caso ele nunca fale em se separar, até quando você vai ficar nessa situação? você se incomoda por acabar com uma familia? (são perguntar que você deve se fazer, não respondê-las a mim) certamente não é o que você sonhou pra sua vida. Todo mundo espera mais de um relacionamento, não é só porque ele te ajuda que merece um lugar cativo no seu coração. o jardineiro da minha antiga casa foi uma pessoa que me ajudou muito, muito mesmo, e nem por isso fiquei com ele (não que ele quisesse, é só um exemplo). psicólogos ajudam e nem é por isso que a gente deve chamá-los para tomar uma cerveja.

estou eu aqui desvirtuando o que eu queria dizer de início. não te julgo, porém minha opinião é, embora você não tenha pedido, de que você deve continuar vivendo e não se fechar para os homens (por isso num outro post aí falei sobre o pedreiro, que eu teria dado). quer dizer, mesmo que você namore ele, mas não se prenda a uma pessoa que não está presa a você.

Anônimo disse...

maior comentário da minha vida. próximo passo é fundar uma religião e lançar minha bíblia.