quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Daí que, caralhos, quando eu morava na porra da favela, eu não tinha preocupação nenhuma. Ok, a única preocupação era não chegar depois de meianoite (tudo junto? com hifen? asifudê também a poorra dessa reforma ortográfica que só serviu pra confundir mais ainda a minha cabeça já um tanto confusa) pra não correr o risco de estar de repente no meio de um tiroteio. E tinham as coisas chatas, como sair ao meio dia em um domingo e dar de cara com uns carinhas vendendo drogas na esquina. Ou então sair qualquer horário e dar de cara com uns carinhas armados e tal. Mas ninguém mexe com você (gente, especificamente na favela onde eu morava. eu sei que há outras piores e tal). Ninguém te incomoda. Você se sente segura. Sério. Eu dormia de porta aberta. Eu esquecia de trancar a porta e só via isso no dia seguinte de manhã. Eu deixava minhas coisas do lado de fora. Eu não tinha preocupação alguma com qualquer coisa relativa à minha segurança. Exceto as balas perdidas e tal. E olha que nem tiroteio tinha muito lá. Era coisa rara mesmo. Meu ex chegava lá às duas da manhã sem problemas. Enfim. Daí que eu largo tudo isso pra morar numa rua civilizada. Numa rua civilizada pertinho da delegacia. Numa rua civilizada pertinho de pontos de onibus e uma avenida principal. Numa rua civilizada com casas lindas - realmente lindas e enormes - e carros mais lindos ainda. Daí que na pooorra da rua civilizada, o que acontece? Tem muito assalto a carro, já tinham me avisado antes. Beleza, eu não tenho carro. Namorado tem, eu fico meio com medo quando ele chega/vai embora, mas nada assim, muito grave, nem nada. Só fico, digamos, esperta. Até aí tudo bem. Mas ontem a minha vizinha vem me contar que tentaram arrombar a porta dela. Putaquepariu. Tudo bem que a porta dela é na rua. Sabe aquelas casas sem muro, que dão de cara pra rua, mesmo? Então. E tudo bem que é a porta da varanda, e tudo. Mas, caralho. Tentaram arrombar a porta da mulher no domingo de eleição. Meia noite. Dois caras em um carro preto. Eu moro sozinha. Tudo bem que moro nos fundos e o cara teria que pular um muro ou então quebrar o cadeado, arrombar a fechadura de um portão e depois arrombar a fechadura da minha porta, mas... caramba. Já fiquei paranóica. Quem disse que eu consegui dormir à noite? Toda hora ficava olhando no buraco do portão pra ver se a luz da garagem acendia (tem sensor de presença lá). Não dormi. Já to querendo arrumar spray de pimenta com minha irmã, um bastão de beiseball (foda-se se não tá escrito certo saporra), colocar alarme, mais uma tranca no portão, um rotweiller na garagem, etc. E eu amo dormir de porta aberta. Nesse calor da porra que tá fazendo, até então eu dormia de porta aberta, confiando no portão e tal. Agora já to 'assim'. Paranóica. Não sabia se não dormia pelo calor, pelos mosquitos, ou só pela paranóia mesmo. Que raiva, viu. Vou voltar pra favela. Tudo bem que eu não tinha (nem nunca terei) coragem de levar ninguém lá, e esse foi um dos principais motivos pelo qual eu queria tanto me mudar, mas caramba... eu quero me sentir segura, né? Tá tudo invertido mesmo. Na favela tu tem segurança. Na rua asfaltada de casas bonitas, não.

Nenhum comentário: