Ele disse adeus. Ele nunca dizia adeus quando se despedia. Eu estranhei. Até pensei. "Adeus?". Mas, no fundo, respirei aliviada. Poderia ser um adeus. Digo, eu estava preparada, caso fosse um adeus. Mas tinha dúvidas ainda, se era ou não. O adeus não saiu da minha cabeça, mas ele sim. Uma semana se passou, e eu praticamente não senti a sua falta. "Praticamente", nada. Eu não senti a sua falta, ponto. Não sei o que aconteceu. Mas a única coisa que consigo pensar é que pode ter acabado do jeito que começou. Em um estalo. De repente. Sem explicação. Cheguei a cogitar a hipótese de que talvez eu realmente comecei enxergar o seu "eu" verdadeiro. Mas não é isso. Não assim, no sentido de que você tenha mudado, ou que você esse tempo todo estivesse fingindo ser de um jeito que não fosse o verdadeiro. Não mesmo, longe disso. Talvez, sim, talvez eu apenas tenha deixado de te enxergar como a pessoa que eu criei. A minha idéia de como você seria. E passei a te enxergar como você realmente é. Uma pessoa normal. De quem eu gosto muito, mas a minha vida não precisa acabar quando você não está. Espero que seja isso mesmo. Ainda é cedo pra falar qualquer coisa, só se passou uma semana. Mas eu não lembro de ter passado uma semana longe sem quase morrer de tanta falta sua que senti. E agora, tudo é diferente. E eu estou feliz com isso.
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