E aí vem você e me ressucita. Eu, Anne, essa parte escondida de mim, essa eu que não quer ser vista, não pode ser sabida, jamais pode ser descoberta por você, porque você jamais pode saber o que eu continuo sentindo por você. Porquê? Por que você já deixou bem claro o que eu significo pra você. Nada. Uma distração virtual. Por mais que você diga palavras bonitas e por mais que você diga que eu sou única em uma determinada parte da sua vida (a virtual, of course), isso parece até significar alguma coisa, mas não significa nada, na verdade. Eu sou descartável pra você, e isso fica bem claro. Mas aí eu faço o favor de sonhar com você. A porra de um sonho maravilhoso. Aonde a imagem que eu criei de você se materializa pra mim. E você me beija. Um beijo maravilhoso, como eu sei que você tem, afinal, fui eu que te criei na minha mente. E eu só queria te ver, te conhecer, só pra destruir essa imagem que eu criei, só pra destruir esse príncipe encantado em que eu te transformei, meu deus, eu preciso tirar essa imagem sua da minha mente, senão vou enlouquecer. Eu preciso tocar em você, pra ver que sua pele não é tão macia, que seu abraço não é tão envolvente, e nem aconchegante, e nem gigante, eu preciso ouvir a sua voz, pra ver que ela é feia, eu preciso sentir a sua lingua dentro da minha boca, pra saber que ela é dura, parada, rápida, que seu beijo é muito ruim, que seus carinhos são frios, enfim, EU PRECISO TE DESTRUIR, PRÍNCIPE ENCANTADO QUE EU CRIEI! Mas aí, o sonho. Você dirigindo o seu carro preto, como você me disse que tinha. E minha irmã no sonho. Você sendo legal com a minha família. Você todo sério, como eu gosto, e imagino. Você dormindo no volante, porque você tem dormido demais ultimamente, mesmo. E eu te chamando de dorminhoco, de soneca,. mas ainda assim me sentindo totalmente segura com você na direção. Você brincando comigo, desfazendo de mim, mas não de uma forma perjorativa, mas na brincadeira mesmo, querendo dizer o contrário de tudo o que está falando. E então, uma parada em algum lugar, pra minha irmã fazer alguma coisa, uma troca de lugares, e você de repente ao meu lado, cara a cara, olhos nos olhos, e você não resiste, ea gente se beija, e, ai, você me beija, e, meu deus, é tudo o que eu sempre sonhei, e eu não acredito, e eu não caibo em mim de tanta felicidade, e minha irmã entra no carro e eu não estou nem aí, eu quero é te beijar pra vida inteira, pra sempre, pra nunca mais desgrudar. E aí a gente pára de se beijar e você sorri, e eu sei, estamos apaixonados. E você votla a dirigir, e agora eu estou do seu lado, e você pára mais uma vez, e pega todos os seus sobrinhos, e alguém da sua família é apresentado a mim, e, nossa, meus sonho se tornando realidade, finalmente, e... acaba. Eu acordo. Sobressaltada. Perdi a hora. Por que eu acordei? Não acredito. Não acredito que depois de anos finalmente conheço o sabor do teu beijo, finalmente viro tua namorada, e isso só dura uma hora. E é um sonho. E eu queria que fosse realidade, tanto, tanto. E aí não me comporto em mim. Mas, surpreendentemente, não fico mal. Fico lembrando do sonho. De você. E cada vez mais convencida de que você é só uma invenção minha, mas eu preciso transformar essa ilusão em realidade rapidamente, pra ter certeza de que a ilusão nada tem a ver com a realidade. Ou destruir a ilusão na dúvida da realidade ser igual ou não. De qualquer maneira, ilusões eternas não são uma boa idéia. Eu preciso me desfazer dessa imagem que criei de você. Pra ontem.
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