Em situações delicadas qualquer coisinha toma uma proporção muito maior do que a real. Não pela ‘coisinha’ em si, mas por tudo o que ela significa. Então qualquer furo de namorado se torna um imenso buraco, como se um meteoro tivesse caído ali. Ontem pelo telefone eu pedi pra namorado passar na minha casa hoje de manhã, pra me levar pro trabalho. Eu disse inúmeras vezes “se der pra você”, “se você quiser”, etc. E várias vezes namorado repetiu “dá, eu passo” , “eu quero, eu passo”. Pois bem. Daí que planejei tudo pra quê? Pra namorado passar hoje de manhã lá em casa. Você, querida leitora, passou? Nem ele. Tudo bem, ele avisou. Seis e quinze da manhã me manda um torpedo dizendo que tinha acontecido um imprevisto. Imprevisto de coo é rola. Fiquei muito poota. Mas muito. Não por ele não ter passado lá necessariamente. Mas, caramba, que merda de situação, né? Que que eu to fazendo nisso, meu deus? Eu sei o que eu to fazendo. Medo de ficar sozinha. Medo de abrir a relação e demorar, de novo, anos e anos pra encontrar alguém que me interesse E que tenha algum interesse em mim. Olha só a merda. Aí eu me sujeito a passar por esse tipo de situação. Qual terá sido o imprevisto? A esposa acordou mais cedo e ele não pode sair? A esposa quis fuder de manhãzinha? A esposa passou mal? Argh. Agora vê. Eu. Ainda questionando. No quinto episódio de Dexter, terceira temporada, teve uma cena que muito me serviu. Uma cena em que o pai dele diz que ele, Dexter, vai ter que escolher quem será a amante e quem será a esposa na vida dele. Era uma metáfora (espero que a figura de linguagem esteja certa, hahaha) para uma outra situação, mas teve uma frase que não mais saiu da minha cabeça. “Você vai ter que decidir quem vai ter prioridade, Dexter”. Quem vai ter prioridade? A esposa, ÓBVIO, sempre vai ter prioridade. Amante é quando der. Se der. Amante é step. É substituição. É, eu sei de tudo isso. Eu sempre soube. Juro, eu não tenho sentimentos fortes por ele. Eu tenho é medo de ficar sozinha. Não exatamente “medo”. Mas eu não quero ficar sozinha. E como eu não fico com qualquer um, eu fico com ele. Mas não dá. Não tá dando. Eu não nasci pra ser uma substituta. Pra me ver quando der, etc. Não. Meu temperamento não combina com isso. Eu não gosto de perder pra ninguém, hahaha. Deprimente. Mas é. Eu não gosto de ser preterida. E cada vez que isso acontece, o orgulho é ferido. É, não é por gostar dele, é orgulho ferido. Ao menos eu tenho algum senso a ponto de não deixar o orgulho falar tão alto e eu me enfiar a destruir o casamento dele. Tipo aquelas amantes, “ou ela ou eu”. Hahaha. Que horror. Não, eu não acho nenhuma graça nisso. É que eu rio nas piores situações, mesmo. Agora estou eu aqui. Muito puta com isso tudo, por estar sentindo isso, essa “frustração”, por não querer sentir isso, por não querer passar por essa situação, querendo dar um basta em tudo, e colocando tudo na balança pra ver o que realmente eu faço da minha vida. Saporra acabou com a minha segunda feira que, ironicamente, eu tinha planejado começar muito bem.
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2 comentários:
Bom, eu não sei o que te falar.
hahaha, não fale nada não, querida. é difícil mesmo.
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