Tentando entender as razões pelas quais estou me tornando essa completa estranha para mim mesma. Vejamos. Raiva. Raiva por ter sido idiota por tanto tempo. Hm. Talvez um misto de raiva e um sentimento de “que porra adiantou ser boazinha?”. Revolta. Talvez. Chegando à conclusão de que ter caráter e escrúpulos não leva ninguém a lugar nenhum, não te faz ser mais querida, não te faz ter um amor, não te faz ter quem a ame. Faz sim, quem ache que te ama. Mas só te ama enquanto você não tem defeitos. Huge failures. Horríveis. Vergonhosos. Você não tem caráter e nem escrúpulo, vapt!, eles deixam de te amar. E eu não quero amores assim. Eu quero quem me ame até mesmo se eu matar alguém. Não quero quem concorde com isso, só quero que me ame mesmo assim. E esteja ao meu lado. Não para me apoiar, óbvio, mas para não me deixar cair mais ainda. Na verdade eu quero ao meu lado pessoas que enxerguem que determinadas atitudes são mais um pedido de socorro, um grito, um berro, do que necessariamente falta de caráter e escrúpulos. Mas enfim. Não culpo ELE por isso. Culpo a mim. Não que tenha sido algum sacrifício ser quem eu fui nesses 5 ou 6 anos. Não foi sacrifício porque eu era realmente daquele jeito. Mas quando tudo desmoronou, eu fiquei revoltada porque nada meu foi valorizado. Eu fiquei do lado dele esse tempo todo, eu sempre fui cheia de valores e moral, e sempre o ajudei, e sempre estive ali, quase perfeita. Pra nada. E ele só me enrolando, enrolando e enrolando. E iludindo, iludindo, iludindo. Entre aspas, né. Porque eu sabia. Eu sempre soube. E é por isso que eu nunca vou culpá-lo de nada. Porque a culpada sou eu e só eu. Mas na hora em que meu mundo desabou e eu caí, eu só queria que ele me segurasse. Que ele me mantivesse segura. Ali, em seus braços. Ainda que virtuais, eu queria que ele me segurasse. Me apoiasse. Fosse o lugar onde meus pés pudessem se firmar e eu me sentiria segura. Mas não foi nada disso que aconteceu. Ele abriu o buraco ainda mais. E eu caí ainda mais. Desamparada. Perdida. Sem ele. Sem eles. Sem ninguém. Tudo desabou. E eu me vi sozinha. Com isso eu parti do princípio de que: todas as pessoas te julgam. E isso cria raízes. Raízes de amargura. E isso mata. E eu morri. Eu morri e nasceu outra. Uma que não consegue se preocupar com os outros, só consigo mesma. Porque sabe que se preocupar com os outros não lhe trará recompensa alguma. Que essa porra de retorno é bobagem. Mas aí, aos poucos, a casca vai se quebrando. E eu, aquela, de antes, renasço. Mais serena. E certa de que eu não sou de determinado jeito para agradar ninguém. Que eu não tenho que esperar recompensa por nada. Eu só tenho é que ter paz comigo mesma. Com a minha consciencia. Que não importa quem me julgue. Eu é que não posso me julgar culpada. Eu tenho sempre que ter o veredicto “inocente” na minha alma. Se eu faço algo que vai contra mim mesma, eu só me faço mal. Se eu sou boazinha, se eu ajudo quem nunca vai dar valor a isso, se eu não fodo com a vida de ninguém, e se isso não vai me trazer nada de bom, eu só tenho que saber o que isso vai trazer pra MIM. Pra MINHA consciencia. De noite, na hora de dormir. O que vai me fazer ter pesadelos? O julgamento dos outros ou o meu próprio julgamento que eu tento a todo custo manter embaixo do tapete? Eu ando me sentindo uma estranha para mim mesma porque eu SOU uma estranha. Tudo o que eu venho feito ultimamente não sou eu. Não é quem eu sou, por quem eu me conheço. É outra. E assim vai ser até eu realmente me entender e chegar ao ponto crucial em que eu vou saber quem sou eu. Sem pressa. Aprendendo, errando, levando porrada, tombos, quedas, sem ninguém pra aparar. Mas eu. Comigo mesma. Me analisando, me descobrindo, me entendendo. Ao menos hoje eu consegui ver isso. Que os meus atos só dizem respeito a mim. Que não é porque eu não tive “recompensa” em ter sido “boazinha”, que isso não vale nada, não presta pra nada. Pode não valer mesmo, e não presta pra nada mesmo. Mas sou eu. É a minha natureza. E ir contra a minha natureza só por revolta ou amargura só faz mal a mim mesma. Só me mata. E eu não quero ter uma estranha vivendo no meu corpo. Eu não quero essa sensação de estar assistindo de camarote uma outra pessoa vivendo por/em mim. Não. Eu sou eu. Em paz comigo mesma. É tudo o que importa. É só o que importa.
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